📝RESUMO DA MATÉRIA

  • A cada 3 segundos, alguém quebra um osso devido à osteoporose; em todo o mundo, isso equivale a mais de 8,9 milhões de fraturas todos os anos
  • A osteoporose é muito descrita como uma doença silenciosa, porque pode não causar sintomas até que ocorra uma fratura
  • Medicamentos bisfosfonatos, como o Fosamax, são muito prescritos para osteoporose, mas podem aumentar o risco de fraturas
  • Nutrientes importantes para a saúde óssea incluem vitamina D, vitaminas K1 e K2, magnésio, cálcio e colágeno; sono adequado também é essencial
  • O exercício regular, incluindo treinamento de restrição do fluxo sanguíneo, ajudará você a construir e manter ossos saudáveis

🩺Por Dr. Mercola

A cada 3 segundos, alguém quebra um osso devido à osteoporose, uma doença óssea comum. Em todo o mundo, isso equivale a mais de 8,9 milhões de fraturas por ano. A osteoporose é muito descrita como uma doença silenciosa, porque pode não causar sintomas até que ocorra uma fratura. “Você pode nem saber que tem osteoporose até quebrar um osso,” segundo a National Osteoporosis Foundation (NOP).

Há cerca de 10 milhões de adultos com osteoporose, enquanto 44 milhões têm baixa densidade óssea, conhecida como osteopenia, que aumenta o risco de fraturas e pode evoluir para osteoporose. “Isso significa que metade de todos os adultos com 50 anos ou mais correm o risco de quebrar um osso e devem se preocupar com a saúde óssea,” aponta o NOP.

Entre as mulheres com mais de 50 anos, 1 em cada 2 quebrará um osso devido à osteoporose, assim como 1 em cada 4 homens. Uma fratura pode ocorrer por uma pequena queda ou, em alguns casos, até por espirrar ou bater em um móvel.

Quais são as causas da osteoporose?

Sua massa óssea cresce desde o nascimento até a idade adulta, atingindo seu pico durante a puberdade. A partir daí, inicia-se a perda de massa óssea. Seu pico de massa óssea é influenciado pela genética, nutrição, sexo, atividade física e estado de saúde durante o período de crescimento.

Quanto maior o seu pico de massa óssea, mais proteção você terá contra a osteoporose mais tarde na vida, de modo que um aumento do pico de massa óssea de um desvio padrão pode reduzir em 50% o risco de fratura.

No entanto, seu tecido ósseo é remodelado de maneira contínua ao longo de sua vida. O tecido é perdido por reabsorção e reconstruído por formação. Se a reabsorção ultrapassar a formação, ocorre perda óssea, podendo levar à osteoporose. Segundo a Penn Medicine:

“A osteoporose é uma condição que leva à perda de massa óssea. Do lado de fora, o osso osteoporótico tem a forma de um osso normal. No entanto, o interior dos ossos torna-se mais poroso durante o processo de envelhecimento devido à perda de cálcio e fosfato.
A perda desses minerais torna os ossos mais propensos a fraturas, mesmo durante atividades rotineiras, como caminhar, ficar de pé ou tomar banho. Muitas vezes, uma pessoa sofre uma fratura antes de perceber a presença da doença.”

Embora diversos fatores não modificáveis possam influenciar seu risco de osteoporose, como idade, sexo, etnia, histórico familiar e menopausa (para as mulheres), também existem fatores de risco sobre os quais você tem um grau significativo de controle. As causas mais comuns de perda óssea incluem:

Dieta desbalanceada

A deficiência de vitamina D

Cirurgia de bypass gástrico, que pode dificultar a absorção de nutrientes suficientes pelo corpo

Envelhecimento, incluindo uma redução do estrogênio na menopausa para as mulheres e uma diminuição da testosterona nos homens

Aumento da inflamação em seu corpo

Certos medicamentos, incluindo os medicamentos para convulsões, tratamentos hormonais para câncer de mama e próstata e esteróides

Ausência de períodos menstruais por longos períodos de tempo

Consumo excessivo de álcool

Baixo peso corporal

Tabagismo

Distúrbios alimentares, como anorexia nervosa

Sedentarismo

A osteoporose aumenta o risco de fraturas ósseas graves, inclusive na coluna e no quadril. As fraturas de quadril, em particular, são notórias por aumentar o risco de morte de um indivíduo mais velho, com taxas de mortalidade de até 20% a 24% no ano após a fratura.

“Fraturas por fragilidade são a 4° principal causa de morbidade por doença crônica na Europa, depois de doença cardíaca isquêmica, demência e câncer de pulmão, porém antes de doença pulmonar obstrutiva crônica e acidente vascular cerebral isquêmico,” segundo a International Osteoporosis Foundation.

“As evidências sugerem que muitas mulheres que sofrem uma fratura por fragilidade não são diagnosticadas e tratadas de maneira adequada para provável osteoporose.” No entanto, o tratamento recomendado com o uso de medicamentos bisfosfonatos, como o Fosamax, pode causar mais danos do que benefícios.

Medicamentos bisfosfonatos podem aumentar o risco de fratura

Nos EUA, cerca de 40 milhões de prescrições de bisfosfonatos são feitas a cada ano. Os medicamentos induzem a apoptose dos osteoclastos (células que degradam o osso), inibindo a reabsorção óssea.

No entanto, há uma desvantagem significativa nos medicamentos, que podem deixar seus ossos frágeis e aumentar o risco de fraturas. Em um estudo realizado por pesquisadores da Agência Espanhola de Medicamentos e Dispositivos Médicos é explicado:

“[D]urante o processo normal de remodelação óssea, a formação de osso produzido por osteoblastos [células formadoras de osso] é induzida por osteoclastos, sendo assim, ao reduzir a atividade reabsortiva, também há uma redução concomitante na formação óssea. A maior densidade óssea observada após o tratamento com bisfosfonatos pode, portanto, refletir fraqueza óssea e não força, dado o aumento do conteúdo mineral no osso.
Os bisfosfonatos também enfraquecem a estrutura do colágeno e produzem um acúmulo de lesões microscópicas na estrutura óssea. Biologicamente, isso torna plausível que o uso prolongado de bisfosfonatos aumente o risco de fratura e cause dificuldade no reparo de fraturas.”

De fato, a equipe descobriu que utilizar bisfosfonatos estava ligado a um maior risco de fraturas subtrocantéricas ou diafisárias em mulheres com 65 anos ou mais que apresentavam baixo risco de fratura. O risco de fratura aumentou entre os usuários de bisfosfonatos de longo prazo.

A Fosamax inclui um aviso sobre fraturas atípicas de fêmur em sua bula desde 2011. Um estudo de 2017, que usou um acelerador de partículas para gerar imagens muito detalhadas da estrutura interna de amostras ósseas de 10 pacientes com fratura de quadril tratados com bisfosfonatos (BP), 14 amostras de fraturas virgens (fraturas ósseas em pacientes que não foram tratados com os medicamentos) e 6 controles não fraturados, também apresentaram risco. Segundo o estudo:

“O osso tratado com BPs estava 28% mais fraco do que um osso do quadril fraturado sem tratamento e 48% mais fraco do que o osso de controle não fraturado... O osso tratado com BPs possuía 24% mais microfissuras do que o osso fraturado sem tratamento e 51% mais microfissuras do que o osso de controle não fraturado...
O tratamento com BPs não apresentou nenhum benefício mecânico detectável nas amostras examinadas. Pelo contrário, o uso dos medicamentos foi associado à uma redução subsequente na força dos ossos. Essa redução na força pode se dever ao maior acúmulo de microfissuras e à uma falta de qualquer melhora discernível no volume ou microarquitetura óssea. Esse estudo preliminar sugere que os impactos clínicos do acúmulo de microfissuras induzidas por BPs podem ser consideráveis.”

Outro artigo publicado no mesmo ano no Scientific Reports sugeriu que "os bisfosfonatos podem suprimir a remodelação, resultando no acúmulo de microfissuras." O acúmulo de microfissuras, por sua vez, pode levar a uma “perda da integridade microestrutural e também a redução da resistência mecânica.”

É por isso que, a meu ver, esses medicamentos devem ser evitadas, pois não resolvem o problema subjacente. Embora os BPs deixem seus ossos mais grossos, eles os tornam mais fracos, mecanicamente falando. Os bisfosfonatos também têm sido ligados a um maior risco de câncer de fígado e pâncreas, junto com:

Osteonecrose da mandíbula (deterioração da mandíbula)

Inflamação ocular

Danos ao fígado

Um risco 2 vezes maior de fibrilação atrial

Toxicidade renal

Hipocalcemia (níveis de cálcio no sangue muito baixos)

Nutrição para ossos mais saudáveis

A prevenção é crucial quando se trata de osteoporose, e os alimentos que você consome podem ajudar muito a construir e manter ossos fortes e saudáveis. Nutrientes importantes para a saúde óssea incluem:

1.  Vitamina D — A vitamina D é importante para a regulagem da absorção do cálcio e do fósforo, os quais são importantes para a saúde óssea.

2.  Vitamina K1 e K2 — A vitamina K1, filoquinona, é encontrada em plantas e vegetais verdes. Além de ser importante para a coagulação sanguínea, uma pesquisa mostra que ela também é importante para a saúde óssea. A osteocalcina é uma proteína produzida pelos osteoblastos e é utilizada dentro do osso como parte integrante do processo de formação óssea.

No entanto, a osteocalcina deve ser “carboxilada” para se tornar útil. A vitamina K1 funciona como um cofator para a enzima que catalisa a carboxilação da osteocalcina.

A vitamina K2, menaquinona, sintetizada pelas bactérias intestinais, funciona em sinergia com o cálcio, o magnésio e a vitamina D para formar ossos fortes e saudáveis. A vitamina K2 direciona o cálcio para seus ossos e impede que ele seja depositado nos seus tecidos moles, órgãos e espaços entre as articulações. A vitamina K2 também ativa a proteína hormonal Osteocalcina, produzida pelos osteoblastos, necessária para reter o cálcio na matriz óssea.

A evidência reunida em 7 estudos japoneses que avaliaram a capacidade da vitamina K2 (menoquinona-4) de diminuir as taxas de fraturas encontrou uma redução de 6% nas fraturas de quadril, 13% nas vertebrais e 9% nas não-vertebrais.

3.  Cálcio — O cálcio funciona em sinergia com a vitamina K2, o magnésio e a vitamina D, e necessita de todos estes nutrientes para funcionar de forma adequada. A vitamina D ajuda na absorção do cálcio, enquanto a vitamina K2 garante que o cálcio seja levado para o lugar correto: seus ossos, e não suas artérias.

4.  Magnésio — O magnésio funciona em sinergia com o cálcio, vitamina K2 e vitamina D, e ajuda na absorção do cálcio.

5.  Colágeno — O colágeno demonstrou fortalecer os ossos e melhorar o quadro de osteoporose.

Distúrbios do sono afetam a saúde dos ossos

Os distúrbios do sono influenciam a renovação óssea e a força muscular, e é por isso que ter uma boa noite de sono é tão importante para a saúde dos ossos. Tanto a curta quanto a longa duração do sono foram indicadas como fatores de risco para osteoporose, por exemplo, e um realizado estudo com adultos mais velhos revelou que o sono prolongado (8 horas ou mais por noite) foi o melhor preditor do risco de osteoporose.

De fato, quando 10 homens tiveram seu sono restrito e seu ritmo circadiano interrompido por 3 semanas, isso levou a um “desacoplamento da renovação óssea em que a formação óssea diminui, mas a reabsorção óssea permanece inalterada.” A falta de sono também é problemática para os ossos.

Um estudo publicado no Journal of Bone and Mineral Research, analisou mulheres na pós-menopausa e encontrou correlações intrigantes entre a duração do sono e a densidade óssea. As mulheres que relataram dormir apenas 5 horas por noite ou menos apresentaram, em média, densidade mineral óssea 0.012 a 0.018 g/cm³ mais baixa do que aquelas que dormiam 7 horas ou mais.

A densidade óssea foi verificada em 4 locais: corpo inteiro, quadril, colo femoral e coluna vertebral. Os que dormiam pouco tinham menor densidade óssea em todas essas áreas e apresentavam maior risco de osteoporose no quadril e na coluna.

Atividade física pode ajudar, incluindo BFR

Junto com nutrição e sono adequado, a atividade física regular é essencial para a saúde dos ossos. Treinamento de restrição de fluxo sanguíneo (BFR) é uma forma ideal de exercício que é eficaz e segura o suficiente para que até mesmo os idosos e os frágeis possam participar.

Ele se trata da execução de exercícios de força enquanto há uma restrição do fluxo de sangue venoso que retorna ao seu coração (mas não do fluxo de sangue arterial) para a extremidade sendo trabalhada. Isso é feito envolvendo os braços ou pernas com um manguito que restringe um pouco o fluxo sanguíneo.

Ao forçar o sangue a se manter no membro durante a prática de exercícios com cargas leves, há um estímulo de mudanças metabólicas nos músculos, resultando em grandes melhoras na força com pouco ou nenhum risco de lesões. Embora sejam necessárias mais pesquisas a respeito de como o BFR afeta a saúde óssea, uma revisão sistemática encontrou 4 estudos que mostraram que o treinamento do BFR aumenta a expressão dos marcadores de formação óssea e diminui os marcadores de reabsorção óssea.

Outro estudo publicado na Medical Hypotheses sugeriu: “Nossa hipótese é que o principal mecanismo por trás das respostas ósseas favoráveis propostas [de BFR] observadas até agora é através do aumento da pressão intramedular e do fluxo de fluido intersticial dentro do osso causado pela oclusão venosa.”

Ao fornecer ao seu corpo o combustível necessário através de uma nutrição adequada e praticar exercícios regulares e movimentos diários, você pode manter os ossos fortes e evitar a osteoporose, sem a necessidade de tratamentos medicamentosos.


🔍Recursos e Referências